O presidente da Federação de Ginástica de Portugal (FGP) disse à Lusa temer uma quebra de participação que pode chegar aos 30%, um número "dramático" para a modalidade, devido à pandemia de COVID-19.

Além do receio de uma quebra na prática das várias vertentes da ginástica, João Paulo Rocha reconhece que há muitos clubes sem condições de regresso à prática e falta de orientações do Governo e autoridades de saúde para o regresso dos desportos de pavilhão.

"Quero lançar um apelo, a que de facto devolvam às pessoas o direito a uma atividade desportiva o mais normal possível, tendo em conta as restrições, e devolvam ao nosso movimento associativo desportivo a possibilidade de poder continuar a prestar esse serviço à população", afirmou, em declarações à Lusa.

O dirigente diz que a FGP enviou já "um conjunto de recomendações e regras" desenhadas em conjunto com especialistas de saúde, para o regresso aos ginásios e pavilhões após o estado de emergência, e em linha com o desconfinamento noutros setores da sociedade, e no desporto, no caso de modalidades ao ar livre, e enviou-as para o Instituto Português do Desporto e Juventude, a Direção-Geral da Saúde, a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e para o primeiro-ministro, António Costa.

"Não há respostas nem nenhuma orientação, nada. (...) De facto, a preocupação é cada vez maior, apesar de algumas pessoas das seleções e de alto rendimento terem recomeçado a treinar, mas são um grupo extremamente restrito", confessou.

Se é verdade que muitos clubes "aproveitaram os treinos ao ar livre", ainda que não sejam condições ideais para a prática da modalidade, sendo melhor "do que estar em casa", há "uma realidade que se agrava dia a dia, semana a semana", nestas associações.

"Há muitos clubes que não vão sair disto, que no regresso já não existem ou vão demorar muito, muito, muito tempo a regressar a uma atividade normal. Por outro lado, há um efeito que estamos a notar, que é a falta de confiança das famílias", contou.

A causa deste receio, considerou, é "o sinal dado de que as atividades de pavilhão são a coisa mais perigosa do mundo, quando não é verdade, normalmente são espaços muito amplos e há regras".

"A perceção que temos, até pela manifestação que algumas famílias, de receio, é o potencial de haver uma grande retração, e é muito preocupante. Se tivermos retração de 20 ou 30% na prática será dramático para a modalidade e para os clubes", sentenciou João Paulo Rocha.

A esperança passa, assim, pelo regresso "de forma controlada e faseada o mais brevemente possível" aos treinos, que permitiria voltar à atividade pelo lado dos clubes, mas também pela "saúde a degradar-se" de muitos portugueses.

Com "cerca de 86% da participação do sexo feminino", a ginástica apresenta-se como abrangendo "todas as idades" em Portugal, uma falange da população que, "somando a outras modalidades de interior, aos ginásios e academias, para quem já foi dado algum sinal", a população abrangida chega "a mais de um milhão de pessoas".

"Estão privados de uma atividade desportiva normal. Além das consequências psicológicas, tem consequências de degradação física das pessoas. Também por isso, devia ser dada muita atenção a uma reabertura dos clubes o mais rapidamente possível", comentou.

Sem resposta aos contactos com as autoridades, a FGP tem "esperança que o Governo possa também olhar para esta situação e regulamentá-la", sendo importante "algum calendário que dê confiança e esperança às pessoas para retomarem a atividade desportiva normal".

"Faremos tudo e intensificaremos os contactos que possamos fazer com as diversas entidades para tentar alertar para a necessidade de uma intervenção regulatória também para as modalidades de pavilhão, de ginásio. Garantias, neste momento, não há nenhumas", apontou.

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