O foco de Ivo Oliveira, agora centrado na sua estreia na Volta ao Algarve, vai alterar-se já na segunda-feira, quando o ciclista português da UAE Emirates trocar a estrada pela pista para tentar estar em Tóquio2020.

Tem sido assim desde sempre e o antigo campeão mundial e europeu de juniores de perseguição individual (2014) parece viver bem com essa dualidade de funções, uma realidade partilhada com o seu irmão gémeo, Rui.

“Estamos a tentar conciliar as duas coisas e, já agora, no dia a seguir ao final da Volta ao Algarve, vou para o Mundial de pista. Os Jogos Olímpicos também estão perto, esta vai ser a última prova para qualificar. Assim, a Volta ao Algarve vai ser uma boa preparação”, resumiu em declarações à agência Lusa.

Apesar de reconhecer que nem sempre é fácil conciliar as duas vertentes, até porque o treino de pista é, por ser mais específico, completamente distinto do de estrada, o gaiense de 23 anos defendeu que “uma coisa complementa a outra”. “Acho que tem corrido bem até hoje”, realçou.

Estreante na Volta ao Algarve, uma prova à qual começou a assistir ‘in loco’ quando Helder, o irmão mais velho, nela participava, Ivo Oliveira revelou que a ‘Algarvia’ era um dos seus objetivos para o início de uma temporada em que Tóquio2020 se afigura como o desafio mais desejável.

“Antes de pensar nos Jogos Olímpicos, temos de pensar na qualificação. Vamos passo a passo. Agora, penso na Volta ao Algarve, quando sair daqui, na segunda-feira, o meu foco vai centrar-se na pista e na qualificação olímpica”, disse, referindo-se ao Mundial de pista, que vai decorrer em Berlim, entre 26 de fevereiro e 01 de março e que é a última corrida pontuável para o apuramento para Tóquio.

Numa temporada tão peculiar, o único dos gémeos Oliveira presentes na ‘Algarvia’ sabe que dificilmente fará a sua estreia numa das três grandes Voltas, até porque, “em princípio”, não está “de reserva” para nenhuma delas.

“Mas quem sabe? Nunca se sabe o dia de amanhã”, brincou, sorridente.

Ivo está habituado às surpresas do futuro, como aquelas que o colocaram ao lado dos seus antigos ídolos no pelotão, primeiro quando foi ‘recrutado’ pelo ‘viveiro de talentos’ que é a Axeon Hagens Berman, em 2017, e, posteriormente, quando assinou pela equipa dos Emirados Árabes Unidos na temporada passada.

“Passou de fotografia a realidade. Agora, já não fico a olhar para eles como ídolos. Há dois ou três anos, sim, acontecia mais. Agora, vejo-os como colegas de profissão, são iguais a mim, treinam como eu. Claro que olho-os com muito respeito, porque a maior parte deles eram figuras que eu ia seguindo quando era pequeno e ainda agora vejo na televisão, e para mim são sempre figuras especiais. Mas, quando estamos em corrida, olho para eles como ciclistas iguais a mim”, confessou.

Ainda assim, o jovem, que tem vários títulos de campeão nacional na pista e que foi campeão português de contrarrelógio em sub-23 (2018), ainda preserva os seus ídolos de miúdo, elegendo Rui Costa, seu colega na UAE Emirates, como o maior de todos.

“É uma responsabilidade [correr com o Rui], mas tento levar isso de forma natural. Se estiver focado nisso, as coisas não correm bem”, concluiu o ciclista que hoje vai partir para a segunda etapa da 46.ª Volta ao Algarve, uma ligação de 183,9 quilómetros entre Sagres e o alto da Fóia, na 35.ª posição da geral, com o mesmo tempo do camisola amarela, o holandês Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep).

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