Inês Henriques admitiu em entrevista exclusiva ao SAPO Desporto que já foi contactada por outros clubes para deixar o Clube de Natação de Rio Maior, mas confirma que, numa decisão pessoal, decidiu continuar na equipa que representa desde sempre.

"Em Rio Maior tenho todas as condições para treinar e recuperar. Num clube grande iria ter benefícios que eram apenas financeiros. Foi contactada por outros clubes, mas tendo em conta que fiz todo o meu percurso no meu clube, o Clube de Natação de Rio Maior, não fazia nos últimos anos da minha carreira sair de Rio Maior. Por opção mantive-me no clube e, neste momento, vou ter um apoio do complexo desportivo de Rio Maior para os próximos anos", referiu a marchadora portuguesa.

A campeã europeia e mundial das distância dos 50 quilómetros marcha femininos abordou ainda a questão dos apoios financeiros aos atletas nos últimos anos.

"Quem está na preparação olímpica tem bons apoios em termos da nossa bolsa olímpica e do apoio para a preparação. Não dá para enriquecer, mas conseguimos viver. Não reclamo porque muitos portugueses ganham menos do que eu", referiu, antes de acrescentar:

"Quem está fora da preparação olímpica tem muito mais dificuldades porque em algumas federações, que não a minha (Federação Portuguesa de Atletismo), as verbas não chegam a horas, e assim é difícil para os atletas se organizarem. Eu já estou na preparação olímpica desde 2006, só sai em 2008, sou paga pelo Comité Olímpico e raramente existem atrasos nos pagamentos. Conseguimos gerir a nossa vida de forma tranquila, mas para chegar à preparação olímpica é um longo caminho a percorrer e muito poucos conseguem. Com as marcas mínimas que estão a pedir para os grandes campeonatos cada vez mais só um lote restrito de atletas é que vão conseguir. Se não existe apoio na base para que os atletas subam é muito difícil chegarem lá acima."

Por fim, Inês Henriques falou ainda da alteração promovida esta segunda-feira pelo conselho da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), que decidiu que a qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio2020 no atletismo vai depender de marcas e do ‘ranking’.

"A IAAF já tinha falado nessa alteração. Inicialmente a qualificação seria só por ranking, mas agora estão a meter metade mínimos e metade ranking. No entanto, estar a fazer uns mínimos muito difíceis. Para se ter uma ideia, para o Mundial deste ano o mínimo das mulheres nos 20 quilómetros marcha é de 1:33.30 horas e para os Jogos Olímpicos é 1:31 horas. Isto acontece porque eles querem limitar o número de atletas. Só podem estar 60 atletas numa prova e eles fazem uns mínimos muito exigentes para poucas atletas os alcançaram, e depois vai pela quota", finalizou.

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