Vivemos tempos nunca antes vividos num passado recente. Milhões de portugueses em casa, devido à pandemia da COVID-19, com as saídas à rua a reduzirem-se às compras essenciais e a alguma atividade física.

O caso de João Vieira não difere de muitos portugueses. Em janeiro fomos ter com o atleta de 44 anos Algarve, onde se encontrava a preparar os Jogos Olímpicos com Vera, a sua mulher e treinadora.

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Em tempos de recolhimento e de forma a impedir a proliferação da pandemia, João Viera vê-se assim, tal como quase todos nós, confinado em casa juntamente com a mulher e com os dois filhos , adaptação sempre complicada para um atleta de alto rendimento. Ainda assim, o medalha de prata nos 50 quilómetros de marcha em Doha, no Qatar, não prescinde dos seus treinos bi-diários, mas admite que esta situação permitiu-lhe poder estar mais tempo com a filha.

SAPO Desporto: De que forma é que está a tentar manter o ritmo de treino, agora mais em casa e sem a possibilidade de sair tanto como gostaria?

João Vieira: Tenho feito um treino de mais baixa intensidade, já que não temos objetivos este ano. As competições principais foram canceladas. Estava a realizar uma preparação para uma prova de 50 quilómetros que se ia realizar em maio, mas não havendo essa prova, a preparação parou, e estou a fazer exercício para mexer os músculos e mexer a minha cabeça de modo a que esteja mais ativo para quando começarem a haver competições eu possa estar apto para as realizar.

S.D: Tem treinado em casa?

João Vieira: Tenho feito um treino na rua, [em Rio Maior], num circuito isolado de dois quilómetros para ficar mais isolado e o resto do treino é feito em casa porque não havendo creche tenho que tomar conta da minha filha durante a tarde para a minha esposa [treinador e atleta] ir treinar e por isso vamos dividindo as tarefas. Eu treino de manhã na rua e ela treina à tarde.

S.D: Como é gerir a parte desportiva e a parte familiar face a esta situação causada pela pandemia?

João Vieira: É difícil porque com o facto de estar sem objetivos tornou-se complicado. E eu na minha preparação estava muitas vezes fora de casa, treinava em outros locais, apesar de ser com a treinadora que é a minha esposa. . Agora treinar sempre no mesmo sítio está-se a tornar bastante monótono, essa é a parte mais difícil. E neste momento como tenho que passar muito tempo com a minha família o descanso não é o que deveria ter, mas é outra parte boa que temos da vida. Mas vou treinando todos os dias de forma a ter o corpo a exercitar, a mente a trabalhar, de modo quando as provas recomeçarem esteja numa condição física média.

S.D: Fale-nos um pouco do seu dia, desde o momento em que se levanta até ir dormir à noite?

João Vieira: Levanto-me às 8 da manhã para tomar o pequen- almoço, por volta das 9h00 faço exercício de pré-aquecimento para ir treinar às 10h00. Por volta da 13h00 da tarde estou a almoçar. A seguir ao almoço durmo uma sesta e vejo um pouco de televisão. E depois treino mais à tarde para regressar por volta das cinco da tarde, para depois a minha esposa ir treinar.

S D: O que é sentiu quando percebeu que os Jogos Olímpicos tinham sido adiados e que toda uma preparação tinha ido por água abaixo?

João Vieira: "Foi um momento de frustração. Estava focado no objetivo dos Jogos Olímpicos, nos 50 km. Depois da grande época que tinha feito no ano passado e isso vai-me fazer atrasar mais um ano o planeamento e vamos ter que ficar à espera a ver se vão haver de facto uns Jogos Olímpicos de 2021. Esta situação do vírus condiciona, mas estamos a fazer o possível para nos mantermos ativos.

SD: Em 2021 já vai ter 45 anos, não pensa em deixar de ir aos Jogos, se estes forem novamente adiados?

João Vieira: Quero ir aos Jogos Olímpicos, é o principal objetivo que tenho em mente no verão de 2021. Vou esperar mais um ano. Tenho que traçar um objetivo elevado e ir para lá com todas as minhas forças para fazer um bom resultado.

Acha que esta paragem pode prejudicá-lo a nível físico?

João Vieira: Não posso dizer que me pode prejudicar, já que eu sou um atleta bastante experiente e sei lidar com muitas situações. Mas a idade é um dado bastante limitativo para mim, mas também conquistei uma medalha de prata com 43 anos. Se esperar mais um ano ou dois não vou sentir muita diferença.

SD: O que é que faz nos tempos livres?

João Vieira: O tempo livre é a tomar conta da minha filha, ver televisão e ler um bocado para me distrair. Só saio de casa para ir treinar e depois regresso logo a casa. Gosto de ver séries e estar a par das notícias.

SD: Gostaria de deixar uma mensagem aos portugueses?

João Vieira: O conselho que eu deixo é que se cuidem, que se protejam ao máximo para não contrairem o vírus e que saiam mais fortes desta situação. Nós os portugueses estamos fortes e por isso vamos lutar para que esta pandemia passe depressa.

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