Cerca de 200 atletas olímpicos brasileiros, condicionados pelo impacto da covid-19 no Brasil, começarão a embarcar para Portugal a partir da próxima sexta-feira, para várias semanas de treinos, informou o Comité Olímpico do país.

A denominada "Missão Europa" aguardava autorização por parte do Governo português, devido a restrições impostas pelos estados-membros da União Europeia (UE), que no final de junho mantiveram o Brasil na lista de países impedidos de atravessar as fronteiras do bloco europeu.

Contudo, o executivo português deu o aval aos atletas olímpicos devido a "condições especiais previstas para brasileiros em exercício de atividade profissional no país", segundo indicou o Comité Olímpico do Brasil (COB), na sexta-feira.

"A partir da grande mobilização e comprometimento de todos, ofereceremos essa excelente oportunidade aos atletas brasileiros, que terão ótimas condições de treino e toda segurança para retomarem a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio", disse o presidente do COB, Paulo Wanderley.

"O COB agradece imensamente ao fundamental apoio do Comité Olímpico de Portugal, através do seu presidente José Manuel Constantino, que não poupou esforços junto às autoridades locais para viabilizar a entrada da equipa do Brasil no país nesse momento", acrescentou Wanderley.

Já o presidente do Comité Olímpico de Portugal explicou que apelou à "sensibilidade das autoridades nacionais" para conseguir que os atletas atravessassem o Oceano Atlântico sem problemas na chegada a Lisboa.

"A legislação recentemente publicada em Portugal prevê condições especiais para atividades de natureza profissional, o que, no nosso entendimento, se aplica à missão olímpica brasileira. Assim, procuramos encontrar os melhores caminhos e sensibilizar o Governo para que não haja quaisquer problemas relativos às chegadas dos atletas e ao controlo de entrada no aeroporto de Lisboa", afirmou Constantino.

A Missão Europa durará de julho até dezembro e tem como objetivo dar suporte à retomada do treino dos atletas brasileiros classificados, ou com potencial de classificação, para os Jogos Olímpicos de Tóquio, garantindo a segurança total da delegação e cumprindo os protocolos exigidos pelos serviços médicos.

As primeiras equipas a embarcar para Portugal, já na próxima semana, integram as modalidade de boxe, natação artística, ginástica, judo e natação.

Até ao momento, o COB tem programado o envio de cerca de 200 atletas de 16 modalidades desportivas, além de técnicos e equipas multidisciplinares.

Os atletas a ficarão divididos em quatro bases, sendo a maior delas no centro de treinos de Rio Maior, sendo seguido por Coimbra, Cascais e Sangalhos.

Juntamente com as autoridades portuguesas, o COB estabeleceu um protocolo rígido de controlo para identificar e prevenir a contaminação pelo novo coronavírus. Assim, todos os integrantes da delegação serão testados até 72 horas antes do embarque, só podendo viajar caso apresentem resultado negativo à covid-19.

Ao chegarem a Portugal, os membros da equipa têm previsto seguir diretamente para os centros de treino, onde serão novamente testados e ficarão em isolamento por 48 horas, até sair o resultado dos exames. Posteriormente, caso testem negativo, estarão aptos para atividades desportivas.

Além disso, uma terceira testagem está prevista antes do regresso de cada atleta ao Brasil.

"Portugal foi escolhido como destino principal da Equipa Brasil na Europa, tendo em vista que o país se encontra num estágio avançado da contenção da pandemia do novo coronavírus, além do bom relacionamento do COB com o Comité Olímpico de Portugal. O país servirá, inclusive, como base de aclimatação da equipa brasileira para os Jogos Olímpicos Paris 2024", indicou o COB em comunicado.

O Brasil, segundo país do mundo com mais mortos e infetados, totalizou na sexta-feira 1.800.827 milhões de infetados e 70.398 óbitos devido à covid-19.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 556 mil mortos e infetou mais de 12,36 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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