As federações desportivas e o Comité Olímpico de Portugal (COP) preparam-se para pedir ao Estado um reforço do financiamento olímpico para 2021, de forma a que o desporto português não saia prejudicado em Tóquio2020.

"Estamos a trabalhar juntamente com o COP para que de alguma forma haja uma negociação com o Estado para poder haver um reforço do financiamento da preparação, uma vez que o projeto olímpico vai ser estendido mais um ano. Falta-nos negociar essa questão para 2021", disse à agência Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix.

Em causa, está o adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021, entre 23 de julho a 08 de agosto, devido à pandemia da covid—19, que impede que Tóquio2020 decorra como previsto, entre 24 de julho e 09 de agosto deste ano.

O dirigente recorda que, no ano pós Jogos Olímpicos, "há sempre um abrandamento no financiamento à preparação", por ser início de ciclo e ainda não decorrer qualquer qualificação, mas, na realidade atual, "não haverá ano de transição, nem sequer será possível para Paris2024", pelo que teme pelos efeitos de um apoio menor no ano decisivo para Tóquio2020.

"Temos estado em contacto permanente com o COP, através do seu presidente, e estamos a aguardar a melhor oportunidade, quando passar esta situação de quarentena e foco principal nas medidas sanitárias à população", acrescentou, quanto ao timing desta conversa com o governo.

Vítor Félix assume que "nesta altura o desporto é um bem secundário", contudo, a comunidade aguarda que "esta situação passe para que, de uma forma planeada, o COP possa renegociar com a tutela uma nova forma de financiamento, que é reforçar os fundos para a preparação olímpica".

"É claro que temos falado entre nós, presidentes das principais federações olímpicas. Estamos todos no mesmo barco nas argumentações e foco na necessidade do reforço de financiamento", completou.

Para o atual ciclo, 2017-2020, o Estado alocou 18,5 milhões de euros, um reforço de 13,5 por cento face ao Rio2016.

Até ao momento, Portugal tem 34 atletas qualificados.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da COVID-19, já infetou mais de 727 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 35 mil. Dos casos de infeção, pelo menos 142.300 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, que está em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril, registaram-se 140 mortes e 6.408 casos de infeções confirmadas, segundo o balanço feito na segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde.

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