O Sporting está na quarta eliminatória da Taça de Portugal depois de ter batido o ARC Oleiros por 4-2 no Estádio Municipal de Oleiros. Frente à equipa do terceiro escalão do futebol português, os ‘leões’ triunfaram com dois golos de João Palhinha, um de Matheus Oliveira e um do estreante Rafael Leão. Para a formação de Castelo Branco marcaram Jackson e Djô Djô.

Jogo de festa, mas sem espaço para qualquer surpresa

Não é surpresa nenhuma dizer que o Sporting era o claro favorito para enfrentar o Oleiros. Uma equipa candidata ao título de campeão nacional contra um clube que milita no terceiro escalão aparenta ser uma escolha fácil, mas a história da Taça de Portugal já mostrou que o improvável pode acontecer e há ‘tomba-gigantes’ que podem ter uma tarde/noite inspirada.

Em Castelo Branco, no entanto, não chegou a haver aquela réstia de esperança das equipas pequenas porque o Sporting não deixou o Oleiros ‘sonhar’. Com uma entrada forte apesar das muitas alterações, o clube leonino teve controlo do encontro durante os 90 minutos.

Superiores em todos os setores, nem o ‘improviso’ de jogar com Petrovic a central beliscou as intenções de Jorge Jesus. O Sporting apresentou o esquema habitual, mas com a diferença maior a surgir na frente de ataque. Gelson Dala e Podence foram os eleitos para jogar na frente, mas nenhum dos jogadores apresenta as capacidades para ser uma clara referência no centro à semelhança do que é Bas Dost. O angolano ainda tentou cumprir a função embora tenha caído mais vezes para trás à procura de ser opção numa linha de passe.

Laterais com espaço para dar e vender

Perante o esquema de cinco defesas que o Oleiros apresentou durante a primeira parte, o Sporting aproveitou o bloco mais baixo para subir as suas próprias linhas. Jonathan Silva e Ristovski fizeram o papel de extremos sempre com espaço para subir e fazer a sobreposição.

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A integração dos defesas no processo de ataque aumentou a pressão sobre a baliza de Luís Pedro e acabou, inevitavelmente, por levar ao primeiro golo do Sporting. Depois de terem marcado o primeiro, os homens de Jorge Jesus mantiveram o ritmo e impediram qualquer resposta da formação de Natan Costa.

No segundo tempo, o Oleiro mudou o sistema tático e acabou por conseguir evitar que os laterais tivessem tanta liberdade, mas numa altura em que dificilmente haveria contestação no resultado.

Segundas linhas deram conta do resultado

Jorge Jesus apresentou um onze renovado com muitas alterações com o intuito de dar minutos a quem tem poucos e poupar cansaço a quem tem muito. Já com o encontro em Turim no horizonte, Jorge Jesus colocou as segundas linhas para dar conta de um recado que, teoricamente, não seria muito complicado.

Os destaques iam para Podence e Dala como homens do ataque bem como para Matheus Oliveira que ainda tem muito a mostrar desde que chegou do Estoril, mas acabou por ser João Palhinha, o médio defensivo, a dar mais nas vistas. O jovem português fez dois golos e assinou uma exibição muito segura no meio-campo. Um encontro que lhe valeu elogios por parte do treinador que o destacou entre todos os jogadores utilizados.

Perante um adversário de menor gabarito, Jorge Jesus levou a gestão um passo além e promoveu estreias na equipa principal. Salin, Merih Demiral, Jovane Cabral e Rafael Leão estrearam-se de forma absoluta com a camisola do Sporting. Enquanto o guarda-redes é já um veterano no futebol em Portugal - representou Naval, Marítimo e Rio Ave -, os três restantes são jovens que somaram os primeiros minutos na equipa principal. O destaque vai, pelo golo, para Rafael Leão que deve –muito- a Podence o tento que faturou. (Confira aqui o tento do jovem jogador leonino)

A juventude teve o seu preço como pode provar Demiral. O jovem central turco entrou a cinco minutos do fim e acabou por estar envolvido no lance do segundo golo do Oleiros. A inexperiência deu lugar a um erro que, por sua vez, deu origem ao golo.

A questão do sintético que não influenciou o resultado

Jorge Jesus foi muito critico em relação ao sintético do Estádio Municipal de Oleiros tanto antes como depois do encontro, mas acabou por não ter relevância no resultado. Houve, contudo, algumas condicionantes como o técnico deu conta após o final da partida.

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O relvado sintético tinha medidas mais pequenas do que o Sporting está habituado. Com menos cinco metros de largura, havia menos espaço para tentar aproveitar, mas o Sporting conseguiu mesmo assim utilizá-lo.

A questão passa agora por saber como se sentem os jogadores do clube leonino visto que Jorge Jesus tinha defendido que após jogar em sintético parecia que se tinha levado com um pau nas pernas.

Têm a palavra os técnicos:

Jorge Jesus, treinador do Sporting

“O objetivo foi conquistado. Não é a primeira vez que há surpresas, mas nós não demos oportunidades ao Oleiros. Tirámos todas as hipóteses ao Oleiros de disputar o jogo. Estarem a perder tirou-lhe a capacidade psicológica”.

Natan Costa, treinador do Oleiros

“O resultado não era o mais importante, era esta festa que se fez no interior do estádio. Foi muito bonita, com desportivismo, elevação. São forças muito diferentes. Jogámos com muita alma e deixámos as pessoas orgulhosas”.

Apontamentos:

Vasco Ferreira com números diferentes na ficha de jogo.

O Oleiros alinhou com Vasco Ferreira no seu onze inicial com o dorsal número 10 nas costas. No entanto, a ficha de jogo do Oleiros-Sporting tinha o jogador da formação da casa registado como o número 13 na ficha de jogo. Em sentido inverso, Ary Papel surgia nos registos leoninos como Manuel Afonso.

Quatro estreias absolutas na equipa principal do Sporting

Frente ao Oleiros, houve quatro jogadores que tiveram a oportunidade de jogar pela primeira vez com a camisola leonina na equipa principal. Para além de Salin – único estreante que foi titular- Jovane, Demiral e Rafael Leão somaram os primeiros minutos.

Jorge Jesus ‘professor’ mesmo nos tempos parados

Já estamos habituados a ver Jorge Jesus a dar indicações no banco de suplentes, mas o treinador do Sporting até nos momentos parados do jogo aproveitou para ‘ensinar’ o seu modelo de jogo. Por várias ocasiões, o técnico utilizou as posições dos seus jogadores dentro do relvado para deixar indicações a quem estava no banco de suplentes.

Assistência maior do que a população da Vila

Com mais de 2200 pessoas no Estádio Municipal de Oleiros, a assistência ao encontro entre o Oleiros e o Sporting foi maior do que a população que vive na vila em Castelo Branco (cerca de duas mil pessoas). Foi a melhor casa do clube no primeiro embate de sempre frente ao clube leonino.

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