O treinador português Rui Águas disse hoje que quer "revalorizar" a seleção cabo-verdiana e "reconquistar" os adeptos e que a mudança de direção da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) foi determinante para o seu regresso.

"Não basta ter um treinador, uma equipa técnica, bons jogadores, é preciso também um apoio experiente e sabedor. É com isso que eu sei que agora conto. Também queremos reconquistar os nossos adeptos", afirmou o técnico português, durante a sua apresentação à imprensa, na cidade da Praia.

O antigo avançado internacional português, que representou Benfica e FC Porto, foi apresentado pela primeira vez como selecionador de futebol de Cabo Verde em agosto de 2014, quando Mário Semedo ainda era presidente da FCF.

O português deixou a seleção cabo-verdiana em janeiro de 2016 por estar com oito meses de salário em atraso, numa altura em que o presidente da FCF era Vítor Osório.

Rui Águas regressou em maio ao comando da seleção cabo-verdiana de futebol, numa altura em que Mário Semedo é novamente presidente da FCF, após vencer Mário Avelino nas eleições extraordinárias realizadas em outubro.

Durante a apresentação, Rui Águas disse que, antes, "não havia rigor e flexibilidade" e que tinha "razões bastantes" para sair, pelo que considerou que a mudança na estrutura diretiva da FCF foi determinante para o regresso à seleção cabo-verdiana.

"Para que um projeto dê certo, as pessoas são fundamentais. Outra vez, não são só os jogadores e o treinador que importam, é toda uma equipa que importa, que trabalhe coordenado. E é essa garantia que, tal como do início tive, vou ter agora e é isso que me faz voltar", sustentou.

Mesmo depois de sair, o treinador disse acompanhou "alguns jogos" de Cabo Verde e sentiu que houve um "afastamento do público" e que os jogadores perderam motivação, salientando que outro objetivo agora é "revalorizar" a seleção cabo-verdiana.

"Uma das coisas que imaginava neste cenário de volta é realmente aquilo que senti aqui, de apoio, de paixão, de vivacidade, que é muito importante para estes jogadores sentirem-se muito mais em casa", prosseguiu, destacando a importância do "entendimento" com a atual direção da FCF.

Quanto aos jogadores cabo-verdianos, Rui Águas disse que têm "orgulho" em representar Cabo Verde e destacou o talento, amizade, competência, união, bem como o "espírito coletivo", que considera "faz milagres".

Nesta segunda passagem pelos ‘Tubarões Azuis’, Rui Águas traçou como principal objetivo o apuramento para a Taça das Nações Africanas (CAN) em 2019, bem como alargar o número de atletas observados e formar os treinadores cabo-verdianos.

"Da minha parte, [podem esperar] maior colaboração, maior abertura, maior sinceridade. Estou esperançado que as coisas corram bem, que possam correr ainda melhor do que no passado. É para isso que vamos trabalhar, todos, com muita motivação", projetou o técnico de 58 anos.

O presidente da FCF, Mário Semedo, por seu lado, destacou a "postura irrepreensível" e "muito profissional" do Rui Águas, apesar de tudo o que aconteceu, e disse que a "grande amizade" e a "relação de confiança mútua" foram decisivas para o regresso do treinador português.

Do contrato, Mário Semedo revelou apenas que será de dois anos, mas informou a FCF está "prevenida de todas as situações" e que já há garantias de financiamento do salário.

Rui Águas, que tal como da primeira vez substituiu Lúcio Antunes, estreou-se na sexta-feira, em Argel, com uma vitória sobre a Argélia por 3-2, e dois dias depois venceu a Andorra nas grandes penalidades, em outro jogo particular realizado em Lisboa.

O selecionador terá uma equipa técnica formada por Lito Aguar, Pedro Figueiredo e Bera.

No apuramento para a CAN de 2019, Cabo Verde está no grupo L, tendo perdido o primeiro jogo em casa com Uganda por 1-0, e o próximo será com o Lesoto, num grupo que conta ainda com a Tanzânia.

Os vencedores de cada um dos 13 grupos e os dois melhores segundo classificados juntar-se-ão ao organizador (Camarões) da fase final da prova máxima de seleções a nível africano.

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