O futebolista luso-cabo-verdiano Rolando, a militar no Marselha (França), declarou ao jornal português 'Expresso' que o dia em que foi rejeitado pelo selecionador de Cabo Verde foi "muito triste", pois sonhava com a selecção do seu país.

Numa extensa entrevista na rubrica 'Tribuna' do conhecido semanário português, Rolando contou a história e o porquê de nunca ter representado a seleção de Cabo Verde, ele que, em outras ocasiões, fora acusado por pessoas desavisadas de ter voltado costas aos 'Tubarões Azuis'.

"Antes de ser chamado à seleção de Portugal, o selecionador de Cabo Verde veio falar com o Pelé [quando os dois estavam no Belenenses], que lhe diz que tinha uns problemas familiares para resolver e não podia ir à seleção. O Pelé sugere-lhe que me leve, a mim, porque eu era um miúdo, iria ser o futuro da seleção de Cabo Verde", contou Rolando, referindo-se a Pelé, com quem, fez dupla de centrais no Belenenses.

Em resposta a Pelé, o selecionador de Cabo Verde, cujo nome Rolando não menciona na entrevista, disse: "O miúdo até não é mau, mas não tem condições para jogar na seleção de Cabo Verde".

"Foi um dia muito triste para mim que sonhava com a seleção de Cabo Verde, nem sonhava com a seleção portuguesa", reforçou o defesa do Marselha, que disse ter assistido à conversa entre o selecionador e Pelé.

Mas como o mundo dá voltas, continuou Rolando, passado uma semana recebeu uma chamada telefónica do treinador Agostinho Oliveira (Portugal) a perguntar se o defesa queria representar Portugal de sub-21.

Rolando disse que respondeu que não era português e nem documentos tinha, mas Agostinho Oliveira reforçou que só queria "o sim ou o não" porque tratava "do resto".

"A partir dali ele deu entrada da papelada para a minha naturalização e assim já podia ser chamado", concretizou.

Questionado se ficou chateado por não ter mais representado Cabo Verde, Rolando declarou que sim, pois na altura era simplesmente cabo-verdiano, vivia em Portugal mas não era português.

"Não tinha documentos por isso não pensava sequer em representar Portugal, mas a partir do momento em que o mister Agostinho Oliveira deu a entrada da papelada, dei-lhe a minha palavra que, se ele conseguisse, eu iria com muita alegria representar a selecção portuguesa", ajuntou o defesa, que nasceu na Bela Vista, em São Vicente.

O estranho foi que depois, avançou o defesa ao 'Expresso', o selecionador de Cabo Verde ligou a anunciar a sua convocatória.

"Mas eu disse-lhes, desculpem mas eu só tenho uma palavra e já dei a minha palavra à seleção de Portugal de sub 21. Há um mês disse-me que eu era um miúdo, sou o miúdo de sempre. O que é que mudou? Dei a minha palavra à seleção de Portugal e a minha palavra é uma. Já me decidi", concluiu Rolando.

Depois de passagens por equipas portuguesas como Campomaiorense, Belenenses e FC Porto, onde se sagrou campeão da Europa de clubes, Rolando militou ainda em clubes europeus como Anderlecht (Bélgica), Nápoles e Inter de Milão (Itália) e Marselha (França).

Questionado sobre o que pensa fazer quando deixar a carreira de futebolista profissional, Rolando disse que deseja estar mais com crianças, em Cabo Verde, a tentar passar algumas das coisas que aprendeu.

"Fiz grande parte da minha formação em Portugal, mas como em Cabo Verde os miúdos têm menos condições de chegar ao mais alto nível, gostaria de fazer alguma coisa lá, para terem uma ideia do que é o futebol, quero tentar dar-lhes a preparação que eu não tive quando era miúdo", concretizou.

"São ideias que tenho, mas nada em concreto, onde o vento me levar eu aceito", concluiu.

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