O Cova da Piedade elaborou um plano multidisciplinar para reduzir o impacto da paragem competitiva provocada pela pandemia de covid-19 nos futebolistas da formação, que podem “perder a vontade de treinar e competir”, segundo a psicóloga do clube.

O plano, revelado hoje à agência Lusa, envolve todos os 40 elementos do departamento de futebol juvenil e abrange não só a área da preparação física, como também os gabinetes de nutrição e de psicologia, num trabalho que pretende que os danos sejam "os menores possíveis” na formação pessoal e desportiva dos atletas.

“O maior impacto da paragem será sempre ao nível das relações interpessoais, de deixarem de estar uns com os outros e de fazer aquilo de que gostam”, explicou Vanessa Rosa, psicóloga que acompanha os cerca de 300 jovens do clube da margem sul.

Por esse motivo, o grupo de trabalho está em contacto permanente com os jovens jogadores e lançou um desafio diário que os ‘obriga’ a “trabalhar com os pais” e a estar em “contacto permanente com os companheiros de equipa e até de equipas adversárias”.

“O objetivo é que eles continuem ativos e a interagir. De repente, deixaram de ter rotinas e veem-se fechados em casa com os pais, o que infelizmente pode não ser bom para todos. O impacto depende sempre da forma como cada um encara esta situação, mas haverá sempre quem fique mais preocupado e vigilante”, fundamentou Vanessa Rosa.

A psicóloga teme que alguns dos jovens jogadores voltem “mais reservados e receosos” pela situação que estão a viver e, por isso, o plano pretende fazer os atletas perceberem que “estão juntos” e que os treinadores que os acompanham estão sempre presentes, apesar do distanciamento físico forçado.

Além dos desafios e de dois planos de treino diários que os treinadores fornecem através de uma aplicação para telemóvel, os jovens do Cova da Piedade respondem também a um questionário que permite, entre outros dados, recolher informação sobre o peso e a qualidade da alimentação.

“Esta situação mexe com muita coisa e isto permite-nos avaliar os seus impulsos alimentares, oscilações de apetite e perceber como a mudança de rotina está a afetar a forma como se alimentam”, explicou Mafalda Ng, responsável pelo gabinete de nutricionismo dos escalões de formação do Cova da Piedade e também do Sporting.

Para já, os jovens jogadores levaram para casa indicações de “cuidados básicos de alimentação e higiene”, mas está a ser elaborado um plano mais pormenorizado para os ajudar a “adaptar as quantidades” de alimento ingeridas e a garantir a “qualidade das refeições”.

“O aumento de peso é um receio, apesar de manterem a atividade física, mas também teremos casos em que haverá perda de massa muscular, daí a importância de continuarem a alimentar-se corretamente”, explicou a especialista.

Os desafios estão a ser um “sucesso” e o coordenador do departamento de futebol juvenil recebe diariamente dezenas de vídeos dos atletas que se “equipam a eles e aos pais à Cova da Piedade, mesmo sem lhes ter sido pedido”, em atividades que “implicam grande dispêndio energético”.

Henrique Silva, que acumula a coordenação do futebol jovem com o treino da equipa de iniciados, explicou ainda que o apoio aos jogadores passa também por um gabinete de apoio aos estudos.

“Temos uma plataforma onde eles registam as notas. Ninguém é castigado, pelo contrário, quando não são boas sentamo-nos com eles, com a psicóloga, tentamos perceber onde é que está o problema e como os podemos ajudar”, explicou Henrique Silva.

O Cova da Piedade é entidade formadora certificada com quatro estrelas pela Federação Portuguesa de Futebol desde julho de 2019, tendo obtido uma classificação 88,75 pontos, a mais elevada de todos os clubes do distrito de Setúbal.

O clube da margem sul do Tejo conta com cerca de 300 jovens nos seus escalões de formação, distribuídos por três equipas de benjamins, duas de infantis de primeiro ano, uma de infantis de segundo ano e ainda duas equipas de iniciados e outras tantas de juvenis.

Tanto em iniciados como em juvenis, o clube garantiu a permanência nos campeonatos nacionais dos respetivos escalões mesmo antes da interrupção de todas as competições decretada pela Federação Portuguesa de Futebol como medida preventiva contra a pandemia de covid-19.

A equipa de juniores, que disputa o campeonato nacional da 2.ª divisão, encontra-se sob a gestão da SAD que é responsável pelo futebol profissional dos piedenses.

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