O presidente do Sporting disse hoje que vai pedir ao Governo uma audiência urgente para debater os casos de violência no desporto, em conferência de imprensa realizada na sequência de agressões no Dragão Caixa e no Estádio do Bessa.

"Vamos pedir uma audiência com urgência ao Governo e solicitar reuniões a todas as federações e ligas em que participamos para que estes casos não se repitam e propomos a criação de um Conselho Estratégico para a Segurança no Desporto. Isto não é um problema do futebol, das modalidades, das claques ou das tribunas. É um problema do desporto nacional e de quem é responsável pelo desporto nacional", disse Frederico Varandas, referindo-se às agressões verificadas no sábado no Dragão Caixa, por ocasião do jogo de hóquei em patins entre FC Porto e Sporting, e uma semana antes no recinto do Boavista, em jogo da I Liga de futebol.

O líder 'leonino' confirmou que recebeu telefonemas a pedir desculpas por parte do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, bem como dos líderes da SAD e do clube 'axadrezados', Álvaro Braga Júnior e Vítor Murta, respetivamente, mas considerou que estes pedidos de desculpas são insuficientes perante a gravidade dos factos.

"Não chega um telefonema pessoal quase envergonhado para o presidente do Sporting a pedir desculpas. Não chega um pedido de desculpa envergonhado, quase em off, ao presidente do Sporting. Nós ficámos à espera do que aconteceria depois dos incidentes no Bessa, mas nada aconteceu, mesmo com uma queixa crime. Recebi um telefonema do Dr. Pedro Proença a mostrar solidariedade, mas eu também disse que esperava uma reação da Liga. Não se vai lá com pedidos de desculpa envergonhados em off. E o exemplo vem sempre de cima, se eu não tenho educação numa tribuna, como posso exigir isso em todos os estádios, pavilhões e recintos desportivos? É preciso coragem e enfrentar de frente o problema", atirou Varandas, antes de acrescentar:

"No caso do Boavista, tanto o presidente do clube como da SAD pediram desculpas no próprio dia, antes de regressarmos a Lisboa. O presidente do FC Porto telefonou-me a pedir desculpa pelo sucedido, mas o que queremos dizer aqui é que a resolução do problema vai para além de um mero telefonema."

"Numa semana duas pessoas foram cobardemente agredidas, uma no Bessa e outra no Dragão Caixa. São episódios de violência física que repudiamos, combatemos e que queremos que nunca mais se repitam. No episódio do Bessa tivemos um elemento do Conselho Diretivo do Sporting que foi agredido por trás com murros na nuca, e há dias atrás tivemos uma agressão miserável de uma funcionária que foi esmurrada na face. E como cobardes que são é preciso ser uma matilha de cobardes. O que aconteceu não pode ser esquecido, e muito menos ignorado. Gente desta tem de ser banida dos recintos desportivos", sublinhou.

Na mesma intervenção, Frederico Varandas pediu medidas urgentes, onde todos devem dar o seu contributo.

"É raro um jogo que eu [Sporting] não tenha uma multa, por cânticos, artefactos pirotécnicos, existem multas para as claques, e o que acontece com esses senhores na tribuna? Os agressores têm de ser banidos, os dirigentes se forem cúmplices têm de ser expulsos, as ligas, as federações têm de existir e intervir e repudiar publicamente. O Estado tem de legislar, e é co-responsável para que isto não se volte a repetir. Portugal é um Estado de Direito, mas o desporto não pode ser um território sem lei, sem justiça. Isto não é um problema do Sporting, é um problema de Portugal", frisou.

Varandas sublinhou que o Sporting continuará a tratar todos "com dignidade e segurança", apesar de o clube não encontrar o mesmo tratamento quando joga fora de casa.

"Todos os nossos rivais foram tratados com dignidade e segurança, e é assim que vai continuar a ser. Zero tolerância, zero suspeição. Nós acreditamos que são esses os nossos valores. Nós, enquanto direção, não governamos o Sporting preocupados com o nosso mandato e sim com o que o Sporting precisa, o que nós desejamos é que quem tutela os responsáveis pelas instituições do desporto se preocupe não com mandatos e sim com o desporto", explicou, antes de adiantar medidas que o Sporting vai tomar no imediato.

"Vamos pedir reuniões com todos os presidentes das federações e apresentar a formação de um Conselho Estratégico para Segurança no Desporto. Isto não é um problema do futebol, das modalidades, das claques ou das tribunas, é um problema do desporto nacional e de quem é responsável pelo desporto nacional", terminou.

*Artigo atualizado

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