O antigo jogador do Benfica, Nuno Assis, concedeu uma entrevista esta quinta-feira ao jornal A Bola onde falou de alguns dos principais protagonistas do atual campeonato nacional e recordou a importância da conquista do título de campeão em 2004/2005 sob as ordens de Giovanni Trapattoni.

O ex-médio ofensivo português pendurou as chuteiras em 2016, mas continua a acompanhar com atenção o futebol português. Em declarações ao referido diário desportivo, Nuno Assis analisou a luta pelo título esta época e destacou a chegada de Bruno Lage à equipa principal do Benfica como um dos momentos de viragem na corrida ao primeiro lugar do campeonato.

"Se me permite queria juntar também o Sporting e o SC Braga já à conversa, porque não podemos esquecer-nos de que o SC Braga sobretudo - o Sporting em determinada fase, mas menos - esteve a discutir a prova. Depois, sim FC Porto e Benfica acabaram por distanciar-se. Procurando o que terá sido um ponto de viragem na Liga, diria que a entrada de Bruno Lage foi importante pela forma como de repente os jogadores do Benfica começaram a demonstrar confiança, e isso numa equipa de futebol é absolutamente fundamental. Lembro-me bem daqueles dois jogos seguidos que o Benfica ganhou ao Vitória, em Guimarães, um para o Campeonato e outro para a Taça, sem jogar muito, quase fraquinho. Mas ganhou. E isso ajudou a elevar a confiança da equipa. Os jogadores já tinham qualidade, mas estava de certa forma escondida", começou por dizer Nuno Assis para depois assumir que o Benfica é favorito a terminar o campeonato no primeiro lugar.

"Tal como estão as coisas é mais fácil imaginar o Benfica campeão, sim", atirou o ex-médio ofensivo português.

Desafiado a analisar as prestações de Sérgio Conceição e Bruno Lage nos respectivos clubes, Nuno Assis elogiou o técnico do FC Porto e recordou a importância do treinador portista no aproveitamento de jogadores que não faziam parte dos planos dos seus antecessores.

"O Sérgio [Conceição] já demonstrara toda a qualidade que tem como treinador na temporada passada, e nesse sentido, nem me parece que estivesse ainda em qualquer processo de avaliação. Tem uma competência já consagrada. Note que os reforços do FC Porto recentemente têm passado na grande maioria por soluções mais ou menos internas; e com isto não quero dizer que não tenham a necessária qualidade, porque a têm, mas os desenhos do plantel nem sempre têm sido fáceis", considerou Nuno Assis.

Já em relação a Bruno Lage, Nuno Assis assume que as eliminações do Benfica da Taça de Portugal e da Liga Europa foram uma espécie de 'mancha' no percurso dos 'encarnados' esta época com Bruno Lage, mas que o técnico do Benfica foi determinante para recuperar de sete pontos de desvantagem para o FC Porto.

"Quem pega na equipa quando ea tinha a desvantagem que tinha, nos pontos e na confiança, e chegar à última jornada a precisar de um empate em casa para ser campeão só pode ter grande mérito. É verdade que os afastamentos da Taça de Portugal e da Liga Europa foram de certa forma manchas no percurso . ainda que em ambos os casos o Benfica tenha caído com eliminatórias empatadas...Mas quem entra como ele entrou, vindo da equipa B, e coloca o Benfica a ganhar e a jogar como na generalidade tem jogado não precisa de grandes elogios. Está tudo dito", atirou Nuno Assis.

Sobre que jogadores foram influentes no FC Porto, Nuno Assis destacou três: Marega, Militão e Herrera.

"Logo à partida diria que o Marega. Parece-me uma escolha mais ou menos unânime para mais influente no FC Porto, pela força, pela velocidade e também pela crescente capacidade de finalização. De seguida diria o Éder Militão, entretanto já negociado para o Real Madrid. É um jogador de nível muito acima dos outros, o que é ainda mais extraordinário se atendermos ao facto de ser muito jovem. Ah! E o Herrera. Gosto muito do Herrera. Tem uma personalidade vibrante em campo e é um grande líder", destacou Nuno Assis.

Sobre que jogadores foram mais influentes no Benfica, João Félix é a primeira escolha de Nuno Assis.

"O João Félix, que apareceu mais tarde. Muito inteligente, muito rápido a pensar e muito decidido na zona de finalização. E também já gostava do Seferovic, mesmo quando não era utilizado. E não posso esquecer-me do Jonas, que mesmo com lesões pelo meio me parece fundamental", sentenciou Nuno Assis sobre o tema.

Confrontado com os possíveis problemas na composição dos plantéis de FC Porto e Benfica na próxima época, Nuno Assis foi questionado sobre que estratégias deviam ser escolhidas por ambos clubes para colmatar eventuais saídas.

"Não se deve alterar muito. E não creio que seja necessário no caso do Benfica. Mas depende sempre muito do mercado, de quem sair. Quando os clubes ganham e estão bem não é preciso mexer muito, até deve evitar-se, mas os grandes portugueses estão sempre um pouco sujeitos às prestações do mercado, porque têm frequentemente jogadores muito valiosos e, também, porque podem não ter capacidade para resistir às pressões", disse Nuno Assis.

A terminar, Nuno Assis recordou a conquista do título de campeão nacional de 2004/2005.

"A melhor memória de campeão nacional?] Desde logo ter chegado a um clube da dimensão do Benfica foi uma emoção tremenda. E para mais ser campeão! Imagino que noutros clubes a sensação seja igualmente boa, mas no Benfica foi uma coisa fantástica, única, talvez porque o clube na altura não ganhava há muitos anos e foi um grande alívio. Para mais o campeonato não teve a qualidade de outros e na verdade parecia que ninguém acreditava que pudéssemos ganhar. Talvez por isso tenha sabido ainda melhor", sentenciou Nuno Assis.

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