Na guerra dos tronos dos melhores marcadores do futebol português o nome de Mário Jardel é uma ameaça incontornável. Em apenas cinco anos ao mais alto nível – sem contar com o último ano no Sporting e a fugaz passagem pelo Beira-Mar já na reta final da carreira – o avançado brasileiro bateu recordes e atingiu números que já não se viam há décadas em Portugal, quando Eusébio ou Yazalde “reinavam” junto das balizas.

Logo na sua época de estreia em Portugal, o Super-Mário – assim era a alcunha que o popularizou nos relvados nacionais - mostrou que vinha para fazer história. Assinou 30 golos em 31 jogos, ajudou o FC Porto a chegar ao tricampeonato e ainda apontou mais cinco tentos nas outras provas. O estreante sagrava-se assim o melhor marcador do campeonato nacional.

No ano seguinte, Jardel registou a “pior das suas melhores” temporadas. Nos 30 jogos realizados na Liga de 1997/98, o internacional brasileiro não foi além dos 26 golos, uma cifra ainda assim inalcançável para a concorrência e que lhe valeu novo galardão de maior goleador em Portugal. O ‘bis’ já não acontecia há uma década, sucedendo na proeza a Paulinho Cascavel (V. Guimarães e Sporting).

Ao terceiro ano, o ‘tri’ como rei dos marcadores. Foram 36 golos em somente 32 encontros, numa média superior a um golo por jogo pela primeira vez desde que chegou à Invicta. Este foi igualmente o campeonato do ‘penta’, sob a orientação de Fernando Santos, que representou também o seu terceiro título nacional.

A época de 1999/2000 foi a última de Mário Jardel no FC Porto. Para a despedida, o avançado canarinho reservou o seu melhor ano de azul e branco, numa performance que atingiu a marca de 37 golos na Liga e um total de 55 em todas as competições (recorde pessoal). Depois deu-se a milionária transferência para o Galatasaray, onde viria a enriquecer o palmarés com uma Supertaça Europeia no seu breve “exílio” de um ano na Turquia.

Em 2001/02, o Sporting acenou-lhe com a perspetiva de um regresso ao país onde fora feliz e Jardel não hesitou em voltar com a camisola de um rival. Em Alvalade, Mário Jardel fez aquilo que sempre lhe tínhamos visto fazer: golos, muitos e de todas as maneiras e feitios. Os 42 tentos apontados valeram-lhe o quinto prémio de goleador e a segunda Bota de Ouro da Europa na carreira.

No ano a seguir, Jardel deixou de ser Super-Mário e sucumbiu aos problemas com jogo, álcool e drogas. Afastou-se progressivamente dos relvados, sem condições físicas e psicológicas, terminando a época com 11 golos em 19 jogos, “estragando” a média do seu percurso em Portugal. A partir daí, o goleador brasileiro deixou de ser temível e passou a “saltimbanco” pelo mundo fora. Esse salto marcou ainda uma breve passagem em 2006/07 pelo Beira-Mar, com mais três tentos em 12 partidas.

Os números finais de Jardel em Portugal são elucidativos: 185 golos em 186 jogos no campeonato nacional. Depois do brasileiro já passaram grandes goleadores, como Falcão, Cardozo, Jackson Martinez ou Lima, mas nenhum com as marcas do avançado nascido em Fortaleza. Afinal, só ele foi ‘Super’.

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