A Arena Beira-Rio é um dos estádios mais imponentes do próximo Campeonato do Mundo e dos poucos que nasce de um projeto de remodelação. Situada nas margens do rio Guaíba, a ‘casa’ do Internacional de Porto Alegre, com capacidade para cerca de 52 mil espectadores, ostenta, porém, outro nome oficial e bastante português: José Pinheiro Borda, o nome que nos leva numa viagem desde o final do século XIX até meados do século XX.

Quando José Pinheiro Borda, nascido em 1897, deixou Portugal para rumar ao Brasil em 1929, com 32 anos, estaria certamente longe de imaginar que um dia ainda teria o seu nome imortalizado num estádio de futebol. Este emigrante português fixou-se em Porto Alegre e ali encontrou um dos amores da sua vida: o Internacional. As outras paixões eram a sua mulher e a obra do estádio pela qual deu todo o seu esforço nos últimos anos de vida. Começou como simples adepto, tornou-se sócio, foi eleito conselheiro e chegou rapidamente à presidência do Conselho Deliberativo do clube. Só não foi presidente do Internacional porque não quis; para José Pinheiro Borda bastava-lhe estar ao lado do resto da ‘torcida’.

Popular entre os adeptos do ‘Colorado’, uma das alcunhas do emblema de Rio Grande do Sul, este “Zé Portuga” enriqueceu enquanto dono de um estabelecimento de venda de roupas e ganhou igualmente influência junto do sector da construção civil. Contudo, empenhava-se em ajudar as famílias mais carenciadas e nunca virava a cara a um pedido do seu clube.

Foi esse espírito de missão que o levou a aceitar o desafio de presidir à Comissão de Obras para a construção de um novo estádio que fizesse jus à grandeza do Internacional. A idade já avançada em 1959 era o seu maior receio, mas mesmo assim deu o pontapé de saída nas obras pouco tempo depois.

José Pinheiro Borda correu o estado de Rio Grande do Sul em campanhas de angariação de dinheiro e materiais para o estádio, tendo o projeto avançado em grande parte com as doações da ‘torcida’ encarnada. Segundo rezam as crónicas desses tempos, quando a equipa do Internacional jogava mal no seu antigo Estádio dos Eucaliptos, os adeptos iam para as margens do rio Guaíba prestar apoio aos trabalhadores da nova construção. E chegou até a fazer programas de rádio para reunir toda a ajuda que fosse possível.

Todavia, só a vida não o ajudou na reta final a realizar o seu sonho de ver o estádio concluído. O português do ‘Colorado’ viria a falecer a 25 de abril de 1965, cerca de quatro anos antes da inauguração da obra, vítima de uma doença súbita. Duas semanas após a sua morte, o presidente do Internacional, Manoel Braga Gastal, deu o nome de José Pinheiro Borda ao futuro estádio, como uma forma de retribuir o amor do emigrante português ao clube. Só que como em quase todos os recintos brasileiros, o nome que ficou para os adeptos foi a alcunha: o Gigante da Beira-Rio.

"Tenho três coisas na minha vida que eu amo profundamente: a minha querida esposa, o Internacional e o Gigante da Beira-Rio", declarou o popular ‘portuga’ de Porto Alegre já perto da sua morte. O nome agora rebatizado para Arena Beira-Rio deve-se à dimensão e localização do estádio, mas o verdadeiro “Gigante da Beira-Rio” nesta história foi um português, de seu nome José Pinheiro Borda. 

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