As mulheres iranianas fizeram hoje história ao entrar num estádio de futebol, em Teerão, pela primeira vez em décadas, para assistir ao jogo Irão-Camboja, de qualificação asiática para o Mundial de futebol de 2022.

No estádio Azadi, em Teerão, perante 3.500 mulheres nas bancadas, a seleção iraniana goleou a formação cambojana, por 14-0, com dois golos de Mehdi Taremi, do Rio Ave, que foi titular, e do suplente Mehrdad Mohammadi, do Desportivo das Aves.

Na formação comandada pelo belga Marc Wilmots, que sucedeu ao português Carlos Queiroz, marcaram ainda Ansarifard, quatro golos, e Azmoun, três, Mohebi, dois, Kanani e Nourollahi.

O encontro assumiu uma importância suplementar depois de o Irão, perante a pressão das instâncias que tutelam o futebol mundial, ter atribuído 4.000 ingressos a mulheres, banidas dos estádios desde 1979, num recinto com a capacidade para cerca de 80.000 espetadores.

A abertura dos estádios a mulheres surgiu semanas depois de a jovem iraniana Sahar Khodayari, de 29 anos, se ter imolado em frente a um tribunal de Teerão, vindo a falecer, depois de ter sido condenada a seis meses de prisão por tentar ir a um jogo.

A morte de Sahar Khodayari suscitou uma ‘onda’ de protestos nas redes sociais, com várias figuras mediáticas a pedirem à FIFA que banisse o Irão das competições internacionais e que os adeptos não assistissem aos jogos.

Entretanto, uma delegação da FIFA deslocou-se à capital iraniana, onde se encontrou com responsáveis governamentais, e disse ter recebido garantias de que as mulheres seriam autorizadas a entrar nos estádios.

Desde 1979, após a revolução islâmica, as mulheres foram proibidas de entrar em estádios, com a justificação oficial de as proteger dos homens.

O Irão é a última nação do mundo a proibir mulheres em partidas de futebol. Recentemente, a Arábia Saudita começou a permitir que as mulheres pudessem assistir aos jogos de futebol.

Notícia atualizada às 17h20

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