Hakan Sukur foi um herói na Turquia, referência máxima do Galatasaray e responsável por marcar o golo mais rápido da história das Campeonatos do Mundo. Aos 48 anos, o antigo avançado turco é agora motorista de Uber em Washington, nos Estados Unidos da América, onde também vende livros para ganhar a vida.

Numa entrevista à revista 'Focus' alemã, Sukur conta como foi alvo de perseguição por parte do regime de Recep Tayyip Erdogan, depois de ter abandonado o seu partido (AKP - Partido da Justiça e Desenvolvimento) em 2013, desiludido com os constantes escândalos de corrução. Foi nessa altura que os problemas começaram.

"A hostilidade começou aí. A loja da minha mulher foi apedrejada, os meus filhos foram importunados na rua e eu fui ameaçado", começou por contar o antigo futebolista, que também viu os seus ativos serem congelados.

Em 2015, Sukur decidiu emigrar para os Estados Unidos, o que foi interpretado como uma ofensa. "Quando parti, prenderam o meu pai e confiscaram tudo o que eu tinha", disse. O pai do ex-avançado acabou por ser libertado por sofrer de cancro, doença da qual também padecia a sua mãe.

Nos EUA, Sukur começou por abrir um café, que viria a fechar mais tarde, logo após a detenção de um indivíduo que havia tirado uma foto com o ex-futebolista. "Começaram a aparecer pessoas suspeitas", revela o antigo internacional turco. Atualmente a trabalhar como motorista de Uber, o ex-jogador diz que perdeu tudo o que tinha graças a Erdogan.

"Estou a começar a trabalhar agora, não me resta nada no mundo. Erdogan tirou-me tudo. Tirou-me o direito à liberdade, o direito a explicar-me, a expressar-me, até o direito a trabalhar", apontou.

Hakan Sukur conta com passagens pelo Parma, Inter, Torino, Galatasaray, entre outros. Foi apontado como uma das grandes figuras do Mundial de 2002, na Coreia do Sul e Japão, onde marcou com apenas 11 segundos de jogo contra a Coreia do Sul, na disputa do 3.º lugar. Somou um total de 51 golos em 112 duelos pela seleção turca, sendo até hoje o maior artilheiro da história da equipa.

Pelo Galatasaray assinou 293 tentos em 552 jogos, além de ter conquistado oito títulos do Campeonato Turco, cinco edições da Taça da Turquia e uma Taça UEFA, conquistada frente ao poderoso Arsenal de Henry, Bergkamp, Vieira e Sylvinho. Triunfos que lhe valeram a posição de ídolo máximo da equipa de Istambul e fizeram do antigo avançado uma verdadeira lenda no seu país.

Depois de pendurar as chuteiras em 2008, Sukur, então um dos homens mais populares da Turquia, resolveu entrar na política. Juntou-se ao AKP e foi eleito membro do parlamento em 2011. "Na altura a Turquia era um país que estava em conformidade com os padrões da União Europeia e recebeu, inclusivamente, um grande investimento da Europa. Mas a política de Erdogan levou à rigidez e foi adotada uma política com orientação para o médio Oriente, em vez de ser para a Europa", conta Sukur na mesma entrevista.

Erdogan chegou a ser convidado para o casamento de Sukur antes de as divergências começarem e o ex-futebolista afastar-se do AKP: "O partido aproveitou-se da minha popularidade. A partir daí começaram as hostilidades." O ex-jogador do Galatasaray chegou, inclusive, a ser acusado de participar na tentativa de golpe de estado de 2016, juntamente com o dissidente Fetullah Gülen.

A terminar a entrevista, Sukur deixou uma mensagem a Erdogan: "Regresse à democracia, à justiça e aos direitos humanos. Seja alguém interessado nos problemas das pessoas. Torne-se o presidente que a Turquia precisa."

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