O regresso do futebol espanhol à porta fechada em plena pandemia de covid-19 é encarado com normalidade pelo avançado Renato Santos, que milita no ‘secundário’ Málaga e atravessou um confinamento “especial” em Estarreja com o filho recém-nascido.

"Há colegas meus que mostram esse receio, mas sinceramente não o tenho. Acredito que o vírus está aí e vamos ter de conviver com ele, tomando as precauções que já conhecemos. Agora, vivermos obcecados com isto também não irá solucionar o problema. Se me dissessem que amanhã começaria a jogar, não teria qualquer medo. Não estaria era em condições físicas para isso”, partilhou à agência Lusa o extremo.

Renato Santos, de 28 anos, voltou a pisar o relvado de forma individualizada em 09 de maio, quase dois meses após a suspensão dos campeonatos espanhóis, e avançou para treinos coletivos “até grupos de 10 ou 11 jogadores” na terça-feira, após toda a estrutura do Málaga ter acusado negativo nas duas baterias de testes ao novo coronavírus.

“Não deixa de ser bom voltarmos ao ativo, ainda que seja de uma maneira estranha, nova e diferente para todos. Enfrentar aquele período alargado em casa com planos de treino e todo o material facultado pelo clube nunca transmitiu a mesma sensação face às rotinas que tínhamos antes da paragem”, comparou o atleta formado entre Estarreja e Sporting.

Sem data para o regresso do campeonato do segundo escalão, na qual os ‘boquerones’ seguem na 15.ª posição, com os mesmos 38 pontos de Las Palmas e Numancia, três acima da zona de descida, o dianteiro defende que seja necessária “uma pré-temporada de um mês” para precaver os futebolistas para as exigências redobradas da sobrecarga competitiva no verão.

“Embora não tenhamos estado totalmente parados, há sempre riscos de lesões. Uma coisa é treinar em casa e outra é jogar, sobretudo duas vezes por semana, o que vai exigir ainda mais de nós”, assumiu Renato Santos, a cumprir a segunda época pelos andaluzes, após ter sido recrutado ao Boavista em julho de 2018.

Para trás ficou um período de confinamento vivido com familiares em Estarreja, onde chegou em 18 de março para encarar três períodos consecutivos em estado de emergência, sendo acompanhado pela esposa e pelos dois filhos, um dos quais nascido em 20 de fevereiro, três semanas antes da declaração da pandemia, em 11 de março.

“Assisti ao parto e depois não foi tão doloroso, porque com um filho recém-nascido já teríamos de ficar mais tempo por casa. Em Málaga vivemos num condomínio fechado e estávamos muito limitados nas zonas comuns. O clube aceitou que viesse para Portugal e ficámos numa vivenda com mais condições para trabalhar e andar por casa”, explicou.

Renato Santos voltou a Espanha em 01 de maio e assistiu ao desconfinamento gradual da quinta nação mais vitimada pela covid-19 (27.778 mortos em mais de 232 mil casos), que aguarda pela eventual prorrogação do estado de emergência até 06 de junho, cuja proposta sugerida pelo Governo minoritário vai ser votada hoje no Parlamento.

“Quando chegámos, as pessoas circulavam muito pouco e percebia-se perfeitamente que era só para idas ao supermercado e compras de bens essenciais. Não havia mais do que isso, até porque a polícia exercia um grande controlo. Neste momento as coisas estão um pouco mais tranquilas e já fazia falta essa sensação”, reconheceu.

Com contrato até junho de 2021 e adaptado a um campeonato “intenso, muito competitivo e com jogos extremamente difíceis”, o antigo atacante de Moreirense, Desportivo das Aves, Rio Ave e Tondela foi o único jogador do Málaga que saiu de Espanha para aguardar por “melhores dias”, que devem anteceder um regresso “estranho e esquisito” do futebol.

“Jogar sem público poderá ser bom ou mau, dependendo das situações. Muitas vezes quando estamos a ganhar no [estádio] La Rosaleda os adeptos são os melhores do mundo. Não é que a perder sejam os piores, pois existe sempre aquela pressão extra, mas não há nada como jogar com casa cheia. Talvez nos custe mais numa fase inicial, mas iremos adaptar-nos, até porque são jogos de extrema importância”, apontou.

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