É hoje decidido no Tribunal Metropolitano de Budapeste, o processo de extradição para Portugal do português Rui Pinto, colaborador do 'Football Leaks'. Segundo escreve o Correio da Manhã, o alegado hacker terá pedido à juíza para não o mandar para Portugal.

"Isto é uma questão de vida ou de morte. Não me envie para Portugal", terá dito Rui Pinto, acrescentando que as autoridades portuguesas podem "ter algum interesse de que algo lhe aconteça". O alegado hacker admitiu ainda sentir que é "um alvo a abater" por se ter envolvido com grupos perigosos.

"Eu vivo em Budapeste desde fevereiro de 2015. Os factos foram cometidos em território húngaro. Nunca recebi nenhum valor monetário pelo que fiz. Tudo o que fiz foi pelo interesse público, porque era necessário expor e levar as autoridades europeias a aperceberem-se da criminalidade à volta do futebol. Em Portugal há o e-toupeira, de certeza que já ouviu falar sobre isso. São vários os casos. Não posso nem é possível confiar nas autoridades portuguesas", disse, citado pelo Correio da Manhã.

Rui Pinto afirmou ainda que as autoridades lusas nunca investigaram a Doyen apesar da existência de "clarissimas provas de que está ligada à máfia do Cazaquistão". "Estamos a falar de uma máfia e todos os cuidados são poucos, e é lamentável que as autoridades portuguesas não tenham feito nada", disse ainda.

O alegado hacker acusou ainda as autoridades lusas de o quererem "tratar como um criminoso e não como um denunciante, juntando acusações falsas".

A sessão começou às 10:15 (09:15 em Lisboa) e serve para as partes apresentarem ao tribunal os respetivos fundamentos. Caso seja decretada a extradição para Portugal, Rui Pinto, que está em prisão domiciliária, em Budapeste, desde 18 de janeiro, será imediatamente detido.

Rui Pinto foi detido em 16 de janeiro, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por duas situações: acesso aos sistemas informáticos do Sporting Clube de Portugal (SCP) e do fundo de investimento 'Doyen Sports' e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de jogadores do SCP e do então treinador Jorge Jesus, assim como de contratos celebrados entre a 'Doyen' e vários clubes de futebol.

Em comunicado posterior, os advogados de Rui Pinto assinalam que o seu cliente "tornou-se um importante denunciante europeu no âmbito dos chamados Football Leaks", relembrando que "muitas revelações feitas ao abrigo destas partilhas de informação estiveram na origem da publicação, durante vários anos, de notícias que deram lugar à abertura de muitas investigações em França e noutros países europeus".

Em 13 de fevereiro deste ano, o tribunal húngaro rejeitou o recurso do Ministério Público daquele país para que Rui Pinto passasse a prisão preventiva, mantendo o português em prisão domiciliária, enquanto aguarda o desenrolar do processo de extradição para Portugal, ao qual se opôs.

Rui Pinto terá acedido, em setembro de 2015, ao sistema informático da "Doyen Sports Investements Limited", com sede em Malta, que celebra contratos com clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).

O 'hacker' é também suspeito de aceder ao email de elementos do conselho de administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD 'leonina'.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

*Artigo atualizado

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